16.5.07


No final de semana que passou, 32 rapidistas de Porto Alegre, Guaíba, Pelotas e Caxias do Sul disputaram a 2ª edição de um estadual da modalidade no Rio Grande do Sul. Excelente ambiente, confraternização, infra-estrutura impecável por parte do Futebol de Mesa do Grêmio. Pode-se falar sim de sucesso. Jogado pela maior parte dos Estados filiados a Confederação Brasileira de Futmesa, não é exagerado, no entanto, dizer que os rápidos vão levar algum tempo para alcançar a mesma expressão do cavado entre os Gaúchos, talvez muito mais do que todos nós imaginamos a princípio. E basta a observação de pequenos detalhes para chegarmos sem exageros a essa, digamos, impressão. Com 32 e não 64 jogadores, com alguns improvisos como a substituição de dois ou três jogadores no último instante (teve técnico favorito que optou por um bom jogo de futebol de várzea), com um clima durante os jogos quase que de recreio colegial, está um tanto distante do cenário que conhecemos das Taças RS, Estadual de Equipes e Especial, tão tradicionais por aqui. Identifica-se no semblante de boa parte dos participantes, traços bandeirantes, de quem está a descobrir diferenças, a fazer algo para sair da rotina, quase exótico, o que não deixa de ser sadio, sem dúvida. Não há na atmosfera mais do que poucas partículas que indiquem um clima forte de competição e que certamente é o que os gaúchos encontrarão num Campeonato Brasileiro, hoje dominado por nordestinos. Talvez o grande mérito dos rápidos, seja o de remeter os botonistas de fato de volta a infância, papel primeiro deste esporte quando praticado por adultos. De trazer de volta aquela sensação de que estamos na garagem da casa do amigo, que a mãe dele daqui a pouco vai trazer K-suco e umas bolachas Maria para o lanche, e que depois podemos ir para qualquer campinho bater uma pelada. No contraste pode-se dizer que os rápidos possuem um recado a nos dar. O recado de que os cavados ao longo do tempo tornaram-se sisudos demais, competitivos demais, e perderam a essência do que o “praticar o Futebol de Mesa” deve proporcionar. Ou quem sabe na realidade o que acontece de fato é que a grande maioria de nós envelheceu? E que este envelhecimento vem nos tirando o que de melhor a fantasia do futmesa nos permitiu ao longo do tempo? Pode ser possível corrigirmos isso ainda, depende de cada um, jogando mais para narrar a partida do que para superar o adversário, chutando a gol mais para dizermos que fulano é o goleador do nosso time do que para ver o rosto crispado do técnico que está do outro lado da mesa, disputarmos campeonatos mais para fazer um churrasco com os amigos do que para colocarmos outro troféu a trajar-se de pó em uma de nossas prateleiras, alimentarmos rivalidades mais para as cornetas virtuais do que para perder amigos. Do jeito que está o nosso esporte, todos nós estamos a merecer no mínimo, um cartão amarelo.

Para saber mais sobre futebol de mesa, acesse www.gothegol.hpgvip.com.br


Google